domingo, 31 de julho de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 108/?

À procura da VERDADE nos livros Sapienciais 

Livro da SABEDORIA – 6/6


- “São naturalmente insensatos os que ignoram a Deus (…). 
Acabam por considerar como deuses (…) o fogo ou o vento (…) 
ou o firmamento (…). Se ficam maravilhados com o poder (…) 
dessas coisas, pensem então quanto mais poderoso é Aquele 
que as formou. (…) Infelizes também (…) os que invocam 
como deuses as obras de mãos humanas: coisas de ouro e prata, 
(…) figuras de animais ou uma pedra (...)” (Sb 13,1-10)
- Totalmente de acordo, caro autor “sagrado”! Isto realmente 
de adorar um bezerro de ouro ou um boneco pintado a quem 
alguém se lembrou de chamar “deus” é… patético para não 
dizer estúpido! Mas o Homem não precisa de referentes? Não 
acredita melhor se vir com os próprios olhos, se tocar com 
as próprias mãos? Não fizeram os artífices, ao longo destes 
dois/três mil anos que tem a tua/nossa História - que são nada 
em relação ao tempo universal que a ciência nos deu a conhecer! - 
imagens de tudo o que é sagrado, desde o Deus-Pai, com 
venerandas barbas brancas, ao Cristo sofredor na cruz ou com o 
seu ar majestático de toga longa, ao Espírito Santo que não 
passou da Branca Pomba… até às imagens de anjos e de santos 
mas sobretudo da Virgem Maria, interpretada por cada povo ao 
seu modo e “paladar”, vestindo-a das mais diversas formas, sendo 
talvez a mais interessante a Nossa Senhora do Ó, com aquele 
ventre prenhe de Jesus Cristo, tão natural e tão… comoventemente 
humano?… Porque é que o Deus verdadeiro não se manifesta 
mais claramente ao Homem para que este não necessite de se 
agarrar a ídolos e assim dar resposta à sua ansiedade de… 
eternidade? Será que Ele alguma vez irá responder a tão angustiante 
pergunta?

- “É impossível escapar da tua mão. Os injustos recusavam 
reconhecer-Te e açoitaste-os com a força do teu braço (…) 
(Sb 16,15-16)
- O autor compraz-se, mais uma vez, na invocação da história 
do povo hebreu, com Javé castigando os seus inimigos, 
para gáudio dos auto-proclamados “justos”…, relembrando as 
pragas do Egipto e os milagres da passagem do Mar Vermelho, 
do fogo, da água, do maná do deserto… E delira totalmente 
referindo-se aos injustos: “(…) foram dispersos, mergulhados 
em horrível medo e aterrorizados por alucinações (…). Ao 
redor deles, ribombavam ruídos assustadores e apareciam-lhes 
fantasmas tétricos de rostos sinistros (…). Só lhes aparecia uma 
chama que se acendia por si mesma, espalhando terror.” 
(Sb 17,3-4) Delirante! E ao povo hebreu chama “nação santa” 
(Sb 17,2), “os teus santos” (Sb 18,1). Que presunção! E, 
continuando a evocar a história, apesenta o mesmo Javé de 
sempre: terrível e castigador: “(…) A tua Palavra toda-poderosa 
veio do alto do céu, do teu trono real, como guerreiro 
implacável e atirou-se sobre uma terra condenada ao extermínio. 
Trazia como espada afiada a tua ordem sem apelação. Parou e 
encheu tudo de morte (…) Também os justos foram atingidos 
pela provação da morte. (…) Os mortos tinham caído aos montes 
uns sobre os outros (…) (Sb 18,15-23)
- “De todos os modos engrandeceste e tornaste glorioso o teu 
povo. Nunca em nenhum lugar, deixaste de olhar por ele e de 
o socorrer.” (Sb 19,22)

- Este “teu povo” contém a antipática exclusividade de um Deus 
que se apouca ao ligar-se apenas a um povo… E que povo!… E 
que Deus! Como é possível continuar a escrever-se assim, falando 
de Deus, apenas 50 anos antes de Cristo!… Pois! Mas… 
terminámos mais um livro! A grande novidade é - como se disse 
de início - a ideia de imortalidade e de incorruptibilidade do 
justo. O autor quis encontrar uma solução para a tremenda injustiça 
que é o justo e o injusto terem exactamente o mesmo fim: o 
pó e o esquecimento, como se lamentaram Job e Coélet no 
Eclesiastes. Pois não é de elementar justiça humana ou divina que 
as boas acções tenham recompensa e as más tenham castigo? E se 
tal não acontece na Terra, não tem de acontecer num céu e num 
inferno? Não tem mesmo de existir o para-além do tempo 
para os Homens? As perguntas são totalmente pertinentes. A resposta… 
fica-se pelo nosso imaginário que se quisera real… Assim, nesta 
leitura. Descobrimos a Verdade? - Não! Apenas afirmações gratuitas 
sobre a imortalidade dos justos, pois… sem provas. Aliás, que 
provas poderia o autor apresentar? Só vindas de Deus! Só por real 
inspiração divina! E, infelizmente, tal como nos livros precedentes, 
como vimos, de divino pouco ou nada tem este livro da… Sabedoria! 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 107/?

À procura da VERDADE nos livros Sapienciais

Livro da SABEDORIA – 5/6


- “Na sabedoria, há um espírito inteligente, santo, único, múltiplo, 
subtil, móvel, penetrante, imaculado, lúcido, invulnerável, amigo 
do bem, agudo, livre, benéfico, amigo dos Homens, estável, seguro, 
sereno, que tudo pode e tudo abrange, que penetra todos os 
espíritos inteligentes, puros e subtilíssimos. (…) A sabedoria é 
exalação do poder de Deus (…), reflexo da luz eterna (…)” 
(Sb 7,22-26)
- Demasiadas palavras e… só palavras! Alguém descortina nelas 
algum sentido válido? Ou, se quisermos, dizem tudo e… não dizem 
nada!

- “Por meio dela, alcançarei a imortalidade e deixarei aos meus 
sucessores uma lembrança eterna.” (Sb 8,13)
- Alcançar a imortalidade, ninguém sabe nem como nem onde. 
Portanto, só pode ser afirmação gratuita e pura fantasia, pois o que 
é público e notório é que não há qualquer imortalidade possível 
ao Homem, ser que pertence ao Tempo, nele começando, nele se 
acabando sem deixar qualquer rasto perene. Esta é a verdade de 
toda a humanidade passada.

- “Sabendo que jamais teria conquistado a sabedoria se Deus não ma 
tivesse concedido…” (Sb 8,21)
- A quem concederá Deus a sabedoria? Ou… a quem excluirá Ele? 
A cada Homem que nasce, Deus anda por ali a decidir se dá ou não a 
sabedoria? Que tolice!

- “Quem pode conhecer a vontade de Deus? (…) Quem poderá 
investigar o que está no céu? Quem poderá conhecer o teu 
projecto se não lhe deres sabedoria enviando do alto o teu espírito 
santo?” (Sb 9,13 e 17)
- Belas perguntas… sem respostas! E Deus terá uma vontade, terá 
um céu, terá um projecto, terá um espírito? Continua-se no ridículo 
de pensar Deus como se fora um Humano.

- “A sabedoria protegeu o pai do mundo, o primeiro homem formado 
por Deus (…)” (Sb 10,1)
- Jocosamente, perguntaríamos: «Como? Se ele comeu a maçã, 
levando Deus - a sabedoria! - a expulsá-lo do paraíso?»

- “A sabedoria libertou de uma nação de opressores um povo santo, 
uma raça irrepreensível. (…) Fez com que os seus inimigos se 
afogassem e depois vomitou-os das profundezas do mar (…)” 
(Sb 10,15 e 19)
- Sempre a mesma presunção de se chamarem de “povo santo”… 
Que santidade?! É inconcebível que as religiões cristãs aceitem 
estes livros do AT, directamente referenciando os judeus, como 
inspirados por Deus e susceptíveis de serem interpretados 
como livros sagrados, as Sagradas Escrituras. É que, de sagrado, 
nada têm!

- “Tu odiavas os antigos habitantes da tua Terra santa porque faziam 
coisas detestáveis (…) Tu bem podias ter entregue os injustos 
nas mãos dos justos durante uma batalha (…) Mas Tu 
castigaste-os pouco a pouco, dando-lhes oportunidade de se 
arrependerem, embora não ignorasses (…) que a sua maldade 
era inata e que nunca mudariam de mentalidade (…)” (Sb 12,3-10)

- A “tua Terra santa” era Canaã, a Terra Prometida! Não foi este 
ódio de Javé, esta maldade do povo, bela invenção dos Israelitas 
para conquistarem tal Terra? E em nome de Javé? E com o seu braço 
vingador? Depois, se Deus não  ignorava que a maldade deles 
era inata, porque lhes deu uma oportunidade irrealizável de se 
arrependerem? É mesmo contraditório este autor “sagrado”! Ou, 
então, Deus esqueceu-se, também aqui, de o inspirar…

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 106/?

À procura da VERDADE nos livros Sapienciais

Livro da SABEDORIA – 4/6


- “Escutai, reis (…), o vosso poder vem do Senhor (…)” 
(Sb 6,1-3)
- Quantos poderosos não se fundamentaram nesta “inofensiva” 
afirmação dita de inspiração divina, para dominarem povos 
e nações! Matarem, massacrarem, roubarem, violarem… tudo em 
nome de Deus! Ora a verdade é que o poder sempre veio das 
armas e do dinheiro do mais forte. Haverá na História uma única 
prova em contrário? Mesmo o poder democrático de hoje - bem 
vistas as coisas - é tantas vezes tão pouco democrático!…

- “No entanto, (…) não julgastes com rectidão, não observastes a 
Lei nem procedestes conforme a vontade de Deus. Por isso, Ele 
cairá sobre vós de modo (…) terrível (…). Os pequenos serão 
perdoados com misericórdia, mas os poderosos serão examinados 
com rigor.” (Sb 6,4-6)
- Mais afirmações megalómanas mas gratuitas. Logo, inúteis. Ou 
então, ficamos pelo desejo. É que, aqui na Terra, a justiça é 
muitas vezes feroz para os fracos, escapando facilmente dela os 
poderosos!

- “O princípio da sabedoria é o desejo autêntico de instruir e desejar 
instruir-se é já amá-la. Amá-la é observar as leis da sabedoria (...). 
A observância das leis é garantia de imortalidade. E a imortalidade 
faz com que a pessoa fique perto de Deus. Portanto o desejo da 
sabedoria conduz ao reino.” (Sb 6,17-20)
- O “reino” é certamente o mesmo de Jesus Cristo, o dos céus. Mas 
é totalmente gratuita a firmação de que “A observância das leis é 
garantia de imortalidade.” Aliás, o que são essas leis? O que é 
realmente a sabedoria?
- Diz o “nosso” comentador: “A sabedoria é o bom senso que cresce 
e se aprofunda (…) no exercício contínuo do discernimento sobre 
circunstâncias e situações (…) É o dom de Deus que forma no 
Homem o bom senso interior. Este permite perceber o sentido interno 
de todas as coisas (…) (Notas a 6,12-21 e 7,15-21, ibidem). 
A sabedoria, aqui, será pura personificação poética ou realidade 
entre Deus e o mundo? Pessoa divina? (…) Muitas das suas funções 
ou atribuições vão transitar para Jesus ou para a acção do Espírito 
Santo.” (Notas a 4,20-5,23, ibidem)

- Também nós comungamos destas e de muitas outras dúvidas. Que a 
sabedoria seja o “bom senso” e que deste bom senso dependa a 
imortalidade no face a face com Deus, no reino… parece pura 
fantasia! Enfim, é a perene tentativa do Homem de ligar o humano 
ao divino, sem jamais perceber plenamente onde está a 
VERDADE, onde está DEUS! E perguntamos, talvez repetindo-nos: 
Porque é que Deus se esconde assim do Homem e não se manifesta 
claramente? Criando em nós o desejo de O conhecer, de ficarmos 
eternamente com Ele, após a morte, porquê deixa em todos os 
humanos a dúvida de se realmente Ele existe ou se não passa de 
invenção das nossas mentes? Porquê? É frustrante! Revoltantemente 
frustrante! É que - e vamos repetir-nos! - toca o essencial, o mais 
importante das nossas vidas! Quem poderá entender - e aceitar! - este 
esconder-se de Deus? Se a vida eterna - a que realmente conta, não 
esqueçamos! - se prepara com esta terrena, porque não sabemos 
claramente se existe e como se alcança? E assim, de frustração em 
frustração, vamos descrendo da eternidade, da sabedoria, do nosso 
próprio desejo de sermos imortais, da… existência de Deus! Será 
que Jesus Cristo nos dará alguma resposta mais convincente do que 
todos estes livros do A.T. que - perdoem-me todos os anjos e santos, 
profetas e, sobretudo, perdoe-me Deus! - não passam de histórias 
com algum conteúdo de boa conduta moral e… social mas que não 
passam de “palavras” humanas?

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Onde a verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 105/?

À procura da VERDADE nos livros Sapienciais

Livro da SABEDORIA – 3/6


- “Feliz a mulher estéril que permanece irrepreensível (…) Feliz 
também o eunuco que não cometeu injustiça (...) É melhor não ter 
filhos e possuir a virtude (…) Os filhos nascidos de uniões ilegais 
testemunharão a perversidade dos seus pais, quando estes forem 
julgados.” (Sb 3,13-14 e 4,1-6)
- Além do descabido elogio do eunuco e da mulher estéril, pois são 
de louvar todos os justos, tenham filhos ou não, novamente o 
julgamento! Mas… como será tal julgamento, pregado, aliás, 
também por Cristo e consagrado no Credo católico: “… que 
há-de vir a julgar os vivos e os mortos…”? Quem realmente o fará? 
Deus? Jesus a quem fizeram filho de Deus e chamaram Cristo? 
Em que fim do mundo? Que mundo? É de notar a ignorância, 
ao tempo, da realidade científica Terra/Sol/Universo e do que 
realmente é o fim do mundo, melhor, da Terra. A Fé obriga o crente 
a acreditar em reais falsidades quer a nível da Ciência quer a 
nível do objectivo da vida humana: preparar a eterna, junto de 
Deus ou do diabo, no céu ou… no inferno! Um total absurdo que 
agride a nossa racionalidade! Na realidade, o fim do mundo é, para 
cada humano, o fim da sua vida na Terra. Esta a única verdade 
credível.

- “Os injustos (…) dirão (…) entre soluços e gemidos de angústia: 
(…) Que vantagem tirámos da nossa riqueza arrogante? Tudo 
desapareceu como sombra (…) fugaz! Os justos, porém, vivem para 
sempre, recebem do Senhor a recompensa (…)” (Sb 4,20 e 5,3-15)
- Mais uma afirmação totalmente gratuita! Portanto, sem qualquer 
credibilidade. Apenas baseada no nosso desejo de imortalidade e… 
de justiça.

- “(O Senhor) tomará o seu próprio zelo como armadura e armará a 
criação para castigar os inimigos. Vestirá a couraça da justiça e 
colocará o capacete do julgamento que não admite suborno. 
Tomará como escudo a santidade invencível, afiará a espada da 
sua ira implacável e o Universo combaterá ao seu lado contra os 
insensatos. Os raios partirão das nuvens como flechas bem apontadas 
e voarão para o alvo como de um arco bem retesado. A sua funda 
lançará furiosa saraivada, a água do mar enfurecer-se-á contra eles, 
e os rios sem piedade afogá-los-ão. O sopro do poder divino 
levantar-se-á contra eles e dispersá-los-á como um furacão. É assim 
que a injustiça devastará a Terra toda e a maldade derrubará o trono 
dos poderosos.” (Sb 5,17-23)

- Desculpem-nos a longa transcrição. É que estava inspirado o autor, 
embora apenas de palavras ocas, sem sentido. De divino, fica a 
impotência na luta, a ira implacável… É o retomar da Bíblia 
antiga no seu pior! Um Deus obviamente impossível! E os injustos 
e a injustiça serão assim uma força tamanha que sejam precisos céus e 
Universo para os aniquilar? 
O discurso é megalómano… desnecessariamente!

domingo, 10 de julho de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 104/?

À procura da VERDADE nos livros Sapienciais

Livro da SABEDORIA – 2/6


- “(…) Deus criou o Homem para ser incorruptível e fê-lo à 
imagem da sua própria natureza. Mas, pela inveja do diabo, 
entrou no mundo a morte que é experimentada por aqueles que 
lhe pertencem.” (Sb 2,23-24)
Que grande confusão! Que afirmações gratuitas! Não encontrou 
melhor explicação para a morte, senão a obra do diabo? Que 
credibilidade poderá ter este autor? Na verdade, se vimos de Deus 
e somos da sua própria natureza, então seremos parte dele e com 
Ele eternos, desde sempre e para sempre. É o que nós pensamos! 
Mas, feliz ou infelizmente, não com esta individualidade. Sim, na 
perpetuidade em que nos movemos como partículas, antes dispersas 
no Universo, agora reunidas no ser que somos, com este corpo 
e esta alma, depois, novamente partículas dispersas pelo Universo, 
fazendo parte de qualquer ser que delas deitar mão, na eterna 
renovação da Criação… Será esta a nossa eternidade! Pelo menos 
é o que nos diz a razão, embora a nossa alma fique desconsolada, 
pois quiséramos realmente ser eternos, mas com este corpo ou ao 
menos com esta alma, conhecendo todas as realidades que se nos 
escapam agora no tempo, por sermos tão limitados!…

- “As almas dos justos estão nas mãos de Deus e nenhum tormento os 
atingirá. (…) Os justos estavam a cumprir uma pena, mas esperavam 
a imortalidade. Por uma breve pena, receberão grandes benefícios (…) 
No dia do julgamento, eles resplandecerão (…) Eles governarão as 
nações, submeterão os povos (…), compreenderão a verdade (…), 
viverão junto de Deus no amor (…). (Sb 3,1-9)
- Quase repugnam tais afirmações! Então, ser justo é sofrer, 
esperando desse modo alcançar a imortalidade? E onde se funda o 
haver um julgamento? E, havendo-o, será justo receber muito por 
“uma breve pena”? E como é que os justos governarão as nações 
e submeterão os povos? Que verdade compreenderão? Como será 
isso de viver junto de Deus no amor? Tudo parece não passar de 
pura fantasia do autor! Suave imaginação, inspirada nos antigos 
escritos bíblicos… O expressar de um desejo… sem consistência de 
fundamento inteligível…

Diz aqui o “nosso” simpático comentador: “Sob influência grega, 
surge pela primeira vez na Bíblia, a palavra imortalidade. Esta, 
porém, está associada ao ideal israelita da justiça: os justos viverão 
para sempre, na glória com Deus; ao contrário, os injustos, pelo seu 
próprio procedimento, renunciam já à imortalidade. (…) Nesta 
perspectiva, a sobrevivência após a morte depende do modo como a 
pessoa vive nesta vida.” (ibidem)

- É, no mínimo, estranho tal comentário. É que não se percebe: Foi a 
influência grega ou foi Deus que inspirou a este autor a ideia de 
imortalidade? E porque foram necessários quase mil anos de Bíblia 
para que tal conceito aparecesse? É admissível um Deus, uma 
mensagem divina que dependa de conceitos criados por humanas 
civilizações?

terça-feira, 28 de junho de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 103/?

À procura da VERDADE 
nos livros Sapienciais – 103/?

Livro da SABEDORIA – 1/6

Diz-se na Introdução ao Livro da Sabedoria:
“Na ordem cronológica, Sabedoria é o último livro do A.T. (…) 
Um judeu de Alexandria, escreveu o livro pelos anos 50 a.C. (…) 
Para ser correctamente avaliado, o livro deve ser entendido no 
contexto em que surgiu. (…) A cultura grega (…) com as suas 
filosofias, costumes e cultos religiosos (…) e às vezes, 
perseguição aberta (…), constituía uma ameaça constante à 
fé e à cultura do povo judaico. (…) Profundamente conhecedor 
das Escrituras, (…) o autor (...) procura reforçar a fé (…) dos 
judeus, impregnados do helenismo e não esquece os gregos a 
quem quer mostrar a superioridade da sabedoria judia. (…) 
Confrontado com o drama do justo que morre sem ter gozado 
a sua recompensa, este livro dá um salto qualitativo ao 
desvendar que aos justos, para além da morte física, são 
reservados vida e prémio junto de Deus. Dois termos bem 
gregos exprimem a ideia da recompensa futura: imortalidade 
e incorruptibilidade. (…) Foi a maneira de integrar na 
corrente sapiencial a esperança da ressurreição corporal (…) 
para sair da crise dolorosa, interpretada exemplarmente por 
Job e pelo Eclesiastes.” (ibidem)
Então, é um livro histórico, bem datado. Então, deve ler-se 
à luz da situação no tempo. Então, a imortalidade e a 
incorruptibilidade foram “o caminho encontrado”, o que não 
quer dizer que seja o verdadeiro… Para livro divino ou de 
inspiração divina, livro que se quisera fundamento da nossa 
fé entendida pela razão, acerca da imortalidade da alma, da 
recompensa eterna do justo e do castigo eterno do injusto, 
não parece ser de irrefutável ou inquestionável credibilidade…
 E a grande pergunta que se coloca para este livro como para 
toda a Bíblia, para o Corão, os Vedas, etc.: “Porquê livros 
de inspiração divina, melhor, ditados por Deus a este ou 
àquele autor, autor dito sagrado”? “Que provas”? – A 
resposta, para um analista crítico, só pode ser uma: “Nenhuma 
prova! Nenhuma razão para tal divina inspiração! Nenhuma 
prova para a existência de tal Deus inspirador! Tudo inventado! 
Logo, tudo falso!...”

- “O espírito do Senhor enche o Universo, dá consistência a todas 
as coisas e tem conhecimento de tudo o que se diz. Por esse 
motivo, quem diz coisas injustas não Lhe escapará e a justiça 
vingadora não o poupará.” (Sb 1,7-8)
De novo, um Deus vingativo… Em cerca de mil anos, os judeus 
pouco evoluíram sobre a ideia de Deus!

- “Raciocinando de forma errada, os injustos comentam entre si: 
A nossa vida é curta e triste: quando chega o fim, não há 
remédio e não se conhece ninguém que tenha voltado do mundo 
dos mortos. Nascemos por acaso e depois seremos como se 
nunca tivéssemos existido. A nossa respiração é fumo e o 
pensamento é uma faísca produzida pelo pulsar do coração. 
Quando a faísca se apaga, o corpo transforma-se em cinza 
e o espírito espalha-se como ar sem consistência. Com o 
tempo, o nosso nome fica esquecido e ninguém mais se lembra 
do que fizemos. A nossa vida passa como rasto de nuvem e 
dissipa-se como neblina expulsa pelos raios do Sol e dissolvida 
pelo seu calor. A nossa vida é uma sombra que passa e depois 
de morrer não voltaremos. (…) Sendo assim, vamos gozar os 
bens presentes e gozar das criaturas com o ardor da 
juventude. Vamos embriagar-nos com os melhores vinhos e 
perfumes e não deixar que a flor da Primavera nos escape. 
Vamos coroar-nos com botões de rosa, antes que murchem. 
Que nenhum de nós falte às nossas orgias. Vamos deixar por 
toda a parte sinais da nossa alegria porque essa é a nossa 
sorte e o nosso destino. Vamos oprimir o justo pobre e não vamos 
poupar as viúvas, nem respeitar os cabelos brancos do ancião. 
A nossa força será a regra da justiça porque o fraco é claramente 
coisa inútil.” (Sb 2 1-11)

- Falam bem estes insensatos! Realistas! A verdade que 
conhecemos, no corpo e na alma. Exactamente o que nós pensamos,
 pertencendo por isso ao rol dos injustos… Mas não pensavam 
assim os justos Job e Coélet? Depois, a faísca do pensamento não 
estará no pulsar do coração mas do cérebro! E, para deixar por 
toda a parte a alegria de viver, não é preciso oprimir o justo ou 
as viúvas e muito menos desrespeitar os cabelos brancos do ancião… 
Aqui, o autor quis introduzir um pecado… desnecessário. 
Apenas conveniente para defender a sua tese. Também não se 
percebe porque é que só o injusto vê com realismo o que acontece 
ao Homem, sendo o prazer e a alegria de viver o que 
finalmente lhe resta… Estas afirmações parecem evidenciar 
que o autor terá ficado realmente perturbado com a leitura de Job 
e do Eclesiastes. Logo, o Deus que o inspirou (inspirou?!), deveria 
estar também perturbado. O que é, obviamente, inadmissível.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 102/?

À procura da VERDADE 
nos LIVROS SAPIENCIAIS e POÉTICOS 

CÂNTICO DOS CÂNTICOS – 4/4

Deliciemo-nos, pela última vez, com a repetida cena de dois 
amantes apaixonados:
- “És bonita, minha amiga (…) formosa como Jerusalém.
   Tu és terrível como esquadrão
   com bandeiras desfraldadas.” (Ct 6,4)
A comparação bélica parece tosca! Destoa. Quebra o romantismo…
- “Afasta de mim os teus olhos,
   que os teus olhos me perturbam!
   O teu cabelo (…) os teus dentes (…) os teus seios (…)” 
(Ct 6,5-7)
   “Sejam (…) rainhas (…) concubinas (…) donzelas (…) sem 
conta, mas uma só é a minha pomba, sem defeito, uma só a 
preferida (…). As jovens, (…) as rainhas e concubinas 
felicitam-na: Quem é esta que desponta como a aurora, bela 
como a Lua, fulgurante como o Sol, terrível como esquadrão 
com bandeiras desfraldadas?” (Ct 6,8-10)
Tímido ou… galanteador, este amante? - Galanteador, sem 
dúvida!
- “Os seus pés (…) como são belos (…)!
   As curvas dos seus quadris (…)
   obras de um artista.
   O seu umbigo… essa taça redonda
   onde o vinho nunca falta.
   O seu ventre, monte de trigo
   rodeado de açucenas.
   Os seus seios, dois filhinhos
   filhos gémeos de gazela.
   O seu pescoço, uma torre de marfim.
   Os seus olhos, as piscinas de Hesebon (…)
   O seu nariz (…) a torre do Líbano (…)
   A sua cabeça (…) como o Carmelo
   e os seus cabelos (…) prendendo um rei nas tranças.
   Como és bela (…)!
   Tens o porte da palmeira
   e os teus seios são os cachos.
   E eu pensei: Vou subir à palmeira
   para colher dos seus frutos!
   Sim, os teus seios são cachos de uva
   e o sopro das tuas narinas perfuma
   como o aroma das maçãs.
   A tua boca é um vinho delicioso
   que se derrama na minha,
   molhando-me lábios e dentes.” (Ct 7,2-10)
Os olhos… os seios… e novamente os seios… O amado 
apaixonado não resiste a tais encantos!















- “Eu sou do meu amado,
   o seu desejo trá-lo para mim.
   Vem, meu amado,
   vem ao campo, vamos pernoitar debaixo dos cedros,
   madrugar pelas vinhas. (…)
   Aí darei o meu amor…
   Grava-me como selo no teu coração,
   como selo nos teus braços;
   pois o amor é forte, (…)
   As águas da torrente jamais poderão apagar o amor
   nem os rios afogá-lo. (…) (Ct 7,11 e 8,6-7)
Assim se termina. O Cântico é sem dúvida belo. Belíssimo! 
De inspiração, “divina”! Mas o permanente chamamento ao 
prazer dos sentidos é tão humano, tão doce, tão apelativo!… 
Enfim, fica-nos a beleza das palavras, das cenas, do romance. 
O divino perde-se no mistério!…