domingo, 18 de fevereiro de 2018

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 164/?


À procura da VERDADE em EZEQUIEL – 164/?
6/13

- “O rei de Babilónia foi a Jerusalém, tomou o rei (…) fez com ele 
um acordo, obrigando-o a fazer um juramento (…) Mas ele 
revoltou-se contra o rei da Babilónia e mandou mensageiros a 
procurar o Egipto para que o Egipto lhe fornecesse cavalos e 
batalhões.” (Ez 17,12-15).
- Comenta-se: “Um país pequeno não tem vantagens em recorrer a 
uma grande potência para se ver livre de outra igual ou parecida. 
Já era a posição de Jeremias que, enfrentando incompreensão e 
calúnias, aconselhava simplesmente a submissão à Babilónia. 
Verdadeiramente, o próprio Deus era quem estava empenhado na 
salvação e prosperidade do povo.” (ibidem)
Tal conclusão do empenho de Deus sem salvar o seu povo parece-nos 
sem nexo, no contexto político que se descreve. Depois, não são 
ideias políticas as que Ezequiel apresenta, ao defender uma política 
de submissão e não uma política de alianças? Não coloca na boca de 
Javé tais palavras para lhes dar força junto dos seus ouvintes? E - 
incontornável pergunta - que nos importam a nós, crentes ou não 
na Bíblia como livro sagrado, o “Livro da Verdade da Salvação 
Eterna”, as ideias de Ezequiel naquele momento e naquele lugar?
- “Assim diz o Senhor Javé: Juro por minha vida que vou 
castigá-lo por ter desprezado o meu juramento e quebrado a 
minha aliança. (…) Até os mais escolhidos comandos do seu 
exército cairão mortos em combate.” (Ez 17,19-21)
- Parece tratar-se de Sedecias que quebrara o juramento com 
Nabucodonosor, rei da Babilónia. Então, como perceber que Javé 
“queira” usurpar tal juramento? E, conjuntamente, “assenhorear-se” 
das atrocidades cometidas por Nabucodonosor? Seria necessário 
este “escândalo” divino inventado por Ezequiel para justificar a 
morte atroz sofrida por Sedecias e os seus, às mãos de 
Nabucodonosor? Que credibilidade nos merece tal escritor 
“inspirado”? Que inspiração divina é esta?!
- “ O indivíduo que pecar, esse é que deverá morrer. Se o 
indivíduo é justo e pratica o direito e a justiça; se não come nos 
montes, não adora os ídolos imundos da casa de Israel; se não 
desonra a mulher do seu próximo, nem se aproxima da mulher 
menstruada; se não explora ninguém mas devolve o penhor de 
uma dívida; se não rouba ninguém, mas dá o seu pão a quem tem 
fome e veste quem não tem roupa; se não empresta com usura 
nem cobra juros; se evita praticar a injustiça e procura fazer um 
julgamento justo entre as pessoas; o indivíduo que age de acordo 
com os meus estatutos, que guarda as minhas normas, praticando 
correctamente a verdade, esse indivíduo é justo e certamente 
permanecerá vivo - oráculo do Senhor Javé.” (Ez 18,4-9)
- Embora fosse de inteira justiça que apenas morresse quem pratica 
o mal, a realidade é que “à morte ninguém escapa, seja bom, mau 
ou papa”! Depois, aparecem-nos uma série de normas “divinas” 
que de divino só têm o serem colocadas na boca de Javé, pois 
todas elas são bem ou demasiado humanas! Mais: o que é isso de 
“comer nos montes”? E que dizer do “pecado” em se aproximar 
da mulher menstruada?! Enfim, o que é “praticar correctamente a 
verdade”? 
- “Entoa uma lamentação sobre os chefes de Israel (…)” (Ez 19,1)
- Aqui, comenta-se: “A sua política de alianças com as grandes 
potências da época não resultou e acarretou a ruína de todo o povo.” 
(ibidem) Certo! Mas, mais uma vez, são apenas as ideias políticas 
de Ezequiel, sem que nelas se vislumbre algo de divino ou de 
divinamente inspirado.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 163/?


À procura da VERDADE em EZEQUIEL 
5/13

(O texto a que se referem os próximos comentários foi publicado 
no final da mensagem anterior)
- Bonita é a simbologia do desenvolvimento de Jerusalém, tal jovem 
que desabrocha para a adolescência até à idade do amor e dos enfeites. 
E Javé não descurou tais encantamentos!
Claro que é tudo simbologia! Mas porquê Jerusalém, cidade de Javé? 
Porquê sempre considerada a sua cidade santa? Porquê mesmo Jesus 
Cristo vai chorar sobre ela e sobre os seus filhos? Porquê até o epíteto 
de “Jerusalém celeste”?
Aqui, vejamos o comentário: “Ezequiel faz um retrato simbólico 
da história de Jerusalém: de humildes origens pagãs, Jerusalém 
tornou-se, no tempo de David, a capital de todo o reino de Israel. 
Desse modo, Jerusalém é o símbolo concreto da aliança amorosa 
entre Deus e o seu povo.” (ibidem)
Não é totalmente descabida de fundamento a afirmação “símbolo 
concreto”? Porque se mistura tanto o real histórico com a intromissão 
de Javé na mesma História?
E comenta-se ainda: “Jerusalém é a esposa amada de Javé. Mas 
ela é infiel, prostitui-se (…) A adúltera tem relações com os 
vizinhos; primeiro com os egípcios, depois com os assírios e 
babilónicos. Ora essas alianças políticas com outras nações são 
atitudes de infidelidade, gestos de prostituição muito caros que 
acarretam prejuízos impensáveis para os filhos, sacrificados aos 
deuses importados e para a mãe que não tira qualquer proveito 
ao oferecer-se perdidamente. (…) Sodoma era o exemplo da 
corrupção total. (…) Samaria foi destruída em 722 a. C., por causa 
da idolatria. Pior do que elas é Jerusalém (…)” (ibidem)
E nós perguntamos de novo: «Porquê esposa amada de Javé? 
Quem criou tal mito em que nos “obrigam” a acreditar? As 
relações que Jerusalém tem com os vizinhos - prostituições, como 
o profeta adora chamar-lhe! - não serão tentativas políticas para 
salvar a pele e não ser destruída? Porquê então, condenáveis?»
Mais uma vez parece que Ezequiel quis camuflar as suas ideias 
políticas, contrárias está bem de ver, às alianças com povos vizinhos, 
em nome de uma não-perca de identidade nacional, debaixo da 
capa das invectivas de Javé contra Jerusalém. É a mistura total do 
real histórico com o visionário supostamente divino! Aliás, aparece a 
mesma confusão na afirmação: “Destruída por causa da idolatria”.
- “No entanto, Eu lembrar-Me-ei da aliança que fiz contigo, quando 
eras jovem e farei contigo uma aliança eterna.” (Ez 16,60)
- Até que enfim! Um Javé tolerante! Uma lufada de ar fresco em 
tantas prostituições! Mas… até quando, Ezequiel?


segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 162/?


À procura da VERDADE em EZEQUIEL
4/13

- “Eu sou Javé cujos estatutos vós não seguistes (…) Pelo contrário, 
imitastes os costumes das nações vizinhas.” (Ez 11)
- Muitas vezes tem Javé de se afirmar! Realmente perante um povo 
de cabeça dura como era aquele seu eleito!… E imitar as nações 
vizinhas era - é! - assim tão pecado?
- “(…) Que ditado é esse que corre pelo país de Israel: Os dias vão 
passando e a visão não se realiza! (…) A visão que este tem é para 
daqui a muitos anos. (…)? Diz aos que profetizam conforme os seus 
próprios interesses: (…) Ai dos profetas estúpidos que inventam 
profecias, coisas que nunca viram, seguindo a sua própria 
inspiração! (…) Têm visões inúteis e previsões enganosas, esses 
que andam dizendo: Oráculo de Javé, quando não foi Javé que 
os mandou. (…) E não é que continuais a ter visões inúteis e a 
fazer previsões erradas? (…) Enfrenta as mulheres do teu povo 
que profetizam conforme os seus próprios interesses. (…)” 
(Ez 12-13)
- Temos de perguntar: Sendo tudo linguagem simbólica ou não, não 
descortinamos aqui um Ezequiel a impor as suas ideias políticas às 
de outros, o que hoje poderíamos chamar de oposição/situação, 
acusando aquelas de não serem inspiradas por Javé e as suas 
serem-no? Depois, vem o espantoso lugar dado às mulheres! 
Infelizmente, desta vez, também como falsas profetisas…
A propósito, comenta-se: “A palavra de Deus não exclui as 
mulheres. De facto, em Israel, encontramos diversas profetisas 
e videntes: Maria, Débora, Hulda. Levado pela insegurança, o 
povo vive em busca de alguém que lhe possa dar orientação 
(…): até as mulheres avançam com práticas que roçam a magia.” 
(ibidem)
É! Naquele tempo, muitos profetas havia! E hoje? Onde estão eles, 
sobretudo os inspirados por Deus? É que, dos outros, dos falsos, 
parece haver por aí muitos!...
- “(…) Assim diz o Senhor Javé a Jerusalém: (…) Já no dia do 
teu nascimento te deitaram fora. (…) Então, Eu fiz-te crescer 
(…) Cresceste, fizeste-te grande e chegaste à flor da juventude, 
formaram-se os teus seios e chegaste à puberdade (…) Notei 
que estavas na idade do amor. (…) Fiz um juramento e 
comprometi-Me contigo em aliança - oráculo do Senhor Javé - de 
modo que passaste a ser minha. Em seguida, dei-te um banho, 
lavei o sangue que estava no teu corpo e ungi-te com óleo. 
Depois vesti-te com roupas bordadas, calcei-te com sapatos de 
couro fino, cingi-te com um laço de linho e cobri-te com 
um véu de seda. Enfeitei-te com ornamentos: coloquei pulseiras 
nos teus pulsos e colares ao teu pescoço; coloquei um anel no teu 
nariz, brincos nas orelhas e uma coroa belíssima na cabeça. (…) 
Tornavas-te cada dia mais bonita e ias tomando ares de rainha. (…) 
Tu, porém, confiaste demasiado na tua beleza. A tua fama tornou-te 
prostituta e passaste a entregar-te ao prazer com qualquer transeunte. 
Tomaste as tuas roupas e com elas enfeitaste com várias cores os 
lugares altos onde te prostituías. (…) Fizeste imagens de homens 
com as quais te prostituíste (…) Como se as tuas prostituições não 
bastassem, ainda mataste os meus filhos e os entregaste para 
serem queimados em honra dessas estátuas. (…) Construíste um 
lugar de pecado (…) entregando o teu corpo a qualquer transeunte 
(…): actos de prostituição! (…) Também te entregaste aos egípcios 
(…): prostituições! (…) Tornaste-te prostituta dos assírios (…) 
Por mais que te entregasses à prostituição, não te saciavas… Com os 
caldeus aumentaste ainda mais a tua prostituição (…) Que ódio Eu 
tinha de ti - oráculo do Senhor Javé - prostituta descarada! (…) 
Nem parecias uma prostituta que recebe pagamento mas mulher 
adúltera que recebe estranhos em lugar do seu marido. Às prostitutas 
costuma-se pagar. Tu porém, é que pagavas a todos os teus amantes. 
Tu é que lhes pagavas para que eles fossem (…) à tua casa 
procurar-te como prostituta. Fazias o contrário das outras prostitutas 
(…) Eras mesmo diferente das outras! (…) Pois bem, prostituta, 
escuta a palavra de Javé: (…) nas tuas prostituições, mostraste a tua 
nudez aos teus amantes e aos teus ídolos imundos (…) Vou reunir 
todos os teus amantes (…) contra ti. (…) Vou entregar-te nas suas 
mãos (…) Incendiarão as tuas casas (…) Far-te-ei acabar com a 
prostituição (…) À tua esquerda mora a tua irmã mais velha, Samaria 
(…) À tua direita, a tua irmã mais nova, que é Sodoma (…): 
ultrapassaste-as em depravação! Juro pela minha vida - oráculo 
do Senhor Javé - que (…) comparadas com todas as abominações 
que tu praticas, as tuas irmãs parecem santas. (…) Comparadas 
contigo, elas são inocentes. (…) Fizeste com que as tuas irmãs 
parecessem justas.” (Ez 16)
- Alongámo-nos de propósito na transcrição. É que esta obsessão por 
imagens sexualizadas, embora se possa argumentar que é tudo em 
sentido metafórico, continua a espantar-nos em textos inspirados 
por Javé! Seria, certamente, para que aquele “povo de cabeça dura” 
entendesse… O que é certo é que a palavra “prostituição” aparece 
aqui, num só capítulo, dezassete vezes! Não é um exagero, santo 
Javé?!

(Nota: mais comentários a este longo texto, na próxima mensagem).

domingo, 21 de janeiro de 2018

O mundo da Fé, um mundo de mentiras!


    É! O mínimo que se pode dizer da Fé e de tudo o que a sustenta é que se alimenta apenas e tão só de mentiras ou, se quisermos, de imaginações, efabulações, maquinações a maior parte delas perversas.
    O Homem vive balizado por dois mundos: o da razão/Ciência e o da Fé ou da crença ou crendices. E há uma pergunta que todos nos deveríamos fazer, nesta nossa idade adulta: «Afinal, de que lado estou? Para quê acreditar em fantasias que outros inventaram e que não têm qualquer ponta de credibilidade? Valerá a pena?»
    Foi neste mundo de crenças e crendices, de mentiras e efabulações, que nasceram todas as religiões. E, ao nascer – ou não fossem produto de cérebros maquiavélicos, oportunistas, opressores, exploradores da ignorância e do desconhecimento da realidade que assiste ao Mundo e ao Universo – os seus mentores/criadores desenvolveram sistemas de hierarquias, poderes, staffs complexos de organização, criando autênticos impérios, em poder, dinheiro, fortuna, corrupção… mas tudo – mesmo TUDO! – camuflado pela mais rígida crença e suas leis, aparecendo à sociedade, como verdades, verdades a que chamaram de eternas e do outro mundo, da outra vida… 
    Ora, todos sabemos que não há outro mundo nem há outra vida, mas apenas este mundo e esta vida aos quais tivemos o privilégio de aceder, por conjugação feliz dos astros, dos átomos de matéria e energia, da Natureza. Todos sabemos que não há transcendência nem sobrenatural nem o mundo dos espíritos ou das almas. Tudo invenções sem qualquer suporte que lhes dê credibilidade. Nunca ninguém conseguiu apresentar um argumento válido – um ÚNICO! – que provasse a existência de tais mundos! É obra! 
    Então – perguntarão – e a clássica dicotomia alma-corpo, constituinte do Homem? Já é de todos sabido – também, obviamente, dos intelectuais que sustentam as suas igrejas e delas se sustentam, cometendo o maior acto de DESONESTIDADE INTELECTUAL a nível planetário – que o Homem não é esse composto clássico de alma e corpo, mas apenas um corpo no qual existe um cérebro, onde todas as prerrogativas, atribuídas pelos clássicos à alma, se situam: inteligência, emoções, sentimentos, ideias, fantasias, sonhos, a vontade e a determinação. E tudo acaba no acto de morrer. TUDO!... (Obviamente, morte do que existe, i. é, do corpo onde pontificou o todo-poderoso cérebro.)
    Assim, no Alto Egipto, já era forte a classe sacerdotal, no culto aos deuses solares, com influência directa sobre o Faraó e, através dele, sobre todo o povo ignorante e escravizado do ponto de vista cultural. Do que se sabe das religiões fenícias e caldaicas, mais antigas, os sacerdotes tinham papel preponderante, corroborados pelos cartomantes, astrólogos, adivinhos, bruxos e leitores das vísceras dos animais abertos e sacrificados aos deuses.
    As religiões orientais não fizeram melhor: criaram castas na sociedade, onde a classe sacerdotal estava no topo. Boa escolha!!! E, aliada ao poder político – como, aliás, aconteceu e acontece com todas as religiões – dominava a seu belo prazer todo o povo, a casta mais baixa, obviamente.
    Na religião judaica, a classe sacerdotal foi também sempre dominante e escravizante do povo, através dos impostos devidos ao Templo. Impostos que, sob a capa de serem oferendas a Javé, serviam para alimentar todo um séquito de corruptos e parasitas que sempre viveram à custa do povo crente a quem venderam e continuam a vender as suas mentiras e falsidades, com isso conseguindo muito poder – essencialmente sobre as consciências –  muito dinheiro e boa vida.
    Veio, depois, o cristianismo, com alguns ingénuos que viraram santos e mártires, mas com a maior parte já pensando em uma organização de fins lucrativos e à sombra da qual, uma nova classe sacerdotal pudesse viver confortavelmente…
    Enfim, nesta panóplia de criação de religiões com os seus múltiplos deuses, só nos faltava o Islamismo que apareceu nos meados do séc. VII e que, fazendo ainda pior que as religiões anteriores, ao misturar, intrinsecamente, política e religião, o que deu um coktail absolutamente “explosivo”…, através do “OU TE CONVERTES OU MORRES!”, construiu um império que durou mais de mil anos, conquistando pela espada quase meio mundo, indo do extremo Cáucaso ao Sul da Ásia, sendo actualmente a segunda religião com mais seguidores.
    A Igreja católica foi, ao longo dos séculos, exímia em extorquir dinheiro aos crentes, tendo mesmo chegado ao descaramento de vender indulgências em ordem a obter a salvação eterna…, escândalo de que resultou a revolta de Lutero e o protestantismo.
    Mas os oportunistas e corruptos perversos estão sempre à espreita de uma oportunidade. E aí temos, por exemplo, a actualíssima IURD – igreja protestante – que, a partir do Brasil, construiu um império de poder e dinheiro, vendendo… crendices.
    A Igreja católica, por seu lado, continua com o seu vasto império, dirigido do Vaticano, onde vive faustosamente, uma Cúria de cardeais e seus servidores e cujo património ninguém se atreve a avaliar, já em dinheiro vivo, accionado pelo Banco do Vaticano, já nas inúmeras obras de arte de que é possuidora. São milhões os euros que diariamente entram nos cofres do Vaticano resultantes só da venda de bilhetes de entrada nos seus ricos museus.
    É tudo UMA VERGONHA HUMANITÁRIA! Uma vergonha existente! Pior: alimentada por quem poderia dizer “BASTA”. Basta de mentiras! Basta de falsidades! Basta de lavagem ao cérebro de adultos e crianças afirmando-lhes como VERDADES ABSOLUTAS puras mentiras, falsidades ou efabulações. Tais são os Céus, os Infernos, os Pecados, os Santos, os Anjos, a Divindade da Igreja, o Sacerdócio, os Sacramentos, e dogmas, o Jesus Filho de Deus que veio redimir o Homem não se sabe de quê, a Virgem, a Trindade… e todo o chorrilho de patetices que uns quantos ditos inspirados por Deus se lembraram de inventar e de impor à Humanidade. Obviamente, para seu benefício em poder, conforto, boa vida e dinheiro.
    Mas, tal como nas economias mundiais, quem poderia mudar o mundo é o primeiro interessado em que nada mude para não perder privilégios, também às Igrejas interessa o status quo existente…
    É neste MUNDO DE MENTIRA que vivemos! UM MUNDO QUE REVOLTA! UM MUNDO DE DESONESTIDADE INTELECTUAL A TODA A PROVA! Até quando?!


    O Homem terá de se reinventar e conseguir formar uma Humanidade equilibrada, baseada na inteligência, na honestidade e na bondade, criando a grande FRATERNIDADE UNIVERSAL, em comunhão e equilíbrio com todos os seres vivos da Terra, este pontinho perdido no Espaço sideral, localizado na ponta espiralada da Galáxia Via Láctea, único lugar conhecido do Universo onde um dia brotou a VIDA! Infelizmente, dada a perversidade da natureza do mesmo Homem, não se prevê que tal reinvenção esteja para breve…

domingo, 14 de janeiro de 2018

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 161/?


À procura da VERDADE em EZEQUIEL 
2/13

- “Ele disse-me: Criatura humana, põe-te de pé que Eu vou falar 
contigo. (…) Então, pude ouvir Aquele que falava comigo. Ele 
disse-me: Criatura humana, vou mandar-te a Israel, a esse povo 
rebelde que se rebelou contra Mim. (Ez 2,1-3)
- Não deixa de ser interessante este tête-à-tête de Ezequiel com 
Deus. Pura retórica literária? Puro simbolismo? Ou algum real 
contacto com o divino, através de uma visão? O que é certo é que 
o “povo eleito de Javé”, tal como mais tarde com Jesus Cristo, não 
reconheceu Javé ou contra Ele se rebelou… Não foi grande escolha 
a de Javé! Aliás, refere logo de seguida:
- “Têm cabeça dura e coração de pedra.” (Ez 3,7)
- Então, porque os escolheste? Não haveria por esse mundo fora, 
melhor do que tal povo? Ou - como já dissemos inúmeras vezes – 
todo leva a crer que foram eles que se auto-elegeram, não havendo 
nenhuma escolha-manifestação de Deus, o Deus vivo de Jesus 
Cristo que se revelará bem diferente deste Javé, sempre ardendo 
em ira ora contra Israel que peca ora contra os inimigos de Israel 
porque o atacam.
- “As broas de cevada que comeres, serão cozidas sobre fezes 
humanas, à vista de todos. E Javé completou: É desta forma que 
a casa de Israel comerá alimento impuro no meio das nações por 
onde a espalhei. Então, eu disse: Ah! Senhor Javé, eu nunca me 
contaminei! Desde pequeno, nunca comi carne de animal morto 
de morte natural ou despedaçado por alguma fera. Até agora, 
carne estragada nunca entrou na minha boca. Javé respondeu-me: 
Está bem. Para cozeres o teu pão, deixo que uses bosta de vaca em 
vez de fezes humanas.” (Ez 4,12-15)
- Seja qual for o simbolismo deste texto, não deixa de ser 
repugnante! Não encontrou melhor Ezequiel para pôr na boca de 
Javé? Aliás, que diferença faria serem fezes de humanos ou de 
vacas? O repugnante da cena é tão sem sentido que difícil se torna 
concebe-la como inspirada!…
- “Só assim derramarei a minha ira, vou satisfazer a minha 
indignação contra eles e Me darei por satisfeito. E quando tiver 
derramado a minha ira contra eles, então ficarão a saber que Eu, 
Javé, falei, porque sou ciumento.” (Ez 5,13)
- Há quanto tempo não ouvíamos falar da ira de Javé?! E do 
seu ciúme face ao culto dos outros deuses?! Mas… não são 
castigos a mais aqueles que Javé dá ao seu “povo de cabeça 
dura e coração de pedra”? Aliás, como castigariam os outros 
deuses os seus devotos e crentes?…
- “Vou fazer vir contra vós a espada, para destruir os vossos 
lugares altos. Os vossos altares ficarão destruídos (…) Eu farei 
com que os vossos habitantes, feridos pela espada, caiam diante 
dos vossos ídolos imundos. Porei os cadáveres dos israelitas 
diante desses ídolos (…) Quando no meio de vós começar a cair 
gente morta pela espada, ficareis a saber que Eu sou Javé. (…) 
Então reconhecerão que Eu sou Javé, quando começarem a 
aparecer as vítimas da guerra no meio dos seus ídolos imundos.” 
(Ez 6)

- Parece uma luta, não entre teístas e ateus, mas entre um Javé 
ciumento e os ídolos que cativam as crenças do povo. Porquê? 
Não se deviam condenar apenas as desumanidades que o 
Homem em nome de Deus, Javé, ou qualquer outro deus, 
praticava, como o sacrifício de crianças para aplacar a ira desses 
deuses? Não é, ou não deveria ser, a religião - o ligar-se com o 
deus da sua devoção - a única verdade que deveria interessar a 
Javé e aos seus inspirados, tais os profetas? Toca o ridículo 
profundo esta luta titânica entre Javé e os ídolos. Incompreensível, 
simplesmente!

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 160/?


À procura da VERDADE em EZEQUIEL
1/13

- Diz-se na Introdução: “O profeta Ezequiel exerceu a sua actividade 
entre os anos 593 a 571 a.C. Sacerdote exilado na Babilónia, com uma 
parte do seu povo, anuncia aí as sentenças de Deus. (…) Ezequiel, 
no entanto, sabe que o sistema passado está a agonizar de maneira 
irrecuperável: Jerusalém será destruída. (…) Com a sua linguagem 
simbólica, Ezequiel indica os passos para a construção de um mundo 
novo: (…) Converter-se a Javé, assumindo o seu projecto; e, a partir 
daí, construir uma sociedade justa e fraterna, voltada para a liberdade 
e a vida.” (ibidem)
- Que belas palavras, não são? Mas…o que é isso de se converter a 
Javé? Qual é o projecto de Javé? - também já noutro lugar 
perguntámos. Uma sociedade justa e fraterna tem de ser “dirigida” 
pela “batuta” de Javé? E que liberdade? Que vida? Depois, 
sabendo Ezequiel, como certamente outros intelectuais do tempo, 
que o sistema político judaico estava agonizando e que crescia o 
poderio da Babilónia, não seria difícil de prever - profetizar - a queda 
e destruição de Jerusalém…
- “No dia (…), de repente, abriram-se os céus e eu tive visões divinas. 
(…) A palavra foi dirigida ao sacerdote Ezequiel (…) Javé colocou 
a mão sobre ele. (…) Eu vi o seguinte: (…) algo parecido com 
uma pedra de safira, em forma de trono; e nele, lá no alto, algo 
parecido com um ser humano. (…) Era a aparência visível da glória 
de Javé. Quando O vi, caí imediatamente com o rosto no chão e 
ouvi a voz de Alguém que falava comigo.” (Ez1,1-4 e 28)
- Comenta-se: “Na base da vocação profética, em Israel, há sempre 
um contacto com o divino, uma nova e significativa experiência de 
Deus. (…) A glória de Javé é o próprio Deus enquanto Se revela no 
seu poder e santidade, no brilho ofuscante em cujo centro se 
vislumbra uma silhueta humana.” (ibidem)
- É espantoso como a fé do “nosso” comentador parece obnubilar-lhe 
o pensamento! Afinal, Ezequiel usa uma linguagem simbólica 
ou real? Ou - como também já perguntámos - umas vezes é ou 
considera-se simbólica e outras é ou considera-se real? Afinal, 
Ezequiel viu realmente Deus com forma humana ou pensou 
que viu tal forma, certamente influenciado pelo Génesis, onde Deus 
criou o Homem à sua imagem e semelhança?
Depois, porque é que Ezequiel atribui às suas visões o carácter de 
divino? Se eu disser que estas nossas escritas são de inspiração divina, 
quem não duvidará? Melhor: quem acreditará? Não teremos pelo 
menos tantas razões para acreditar que são divinas como para 
acreditar que não são? E abriram-se realmente os céus ou… é 
simbólico? Javé pôs a mão em cima do profeta ou… é simbólico? E 
o trono? E a pedra de safira - que teria de ser bem grande para fazer 
de trono? E que céus? Que alto? Não há aqui, povoando a 
imaginação de Ezequiel, a leitura do Pentateuco? E viu realmente 
Deus ou não? E ouviu realmente ou não? Com que voz? E as 
formas eram bem distintas ou… envoltas em bruma, pois já 
Moisés não pudera ver a Deus face a face, mas só de costas e 
morreria se de outro modo acontecesse? Lembram-se? Não há 
aqui uma encenação de Ezequiel para tornar mais credível as suas 
“profecias” junto do povo que com ele estava já no exílio?
Finalmente, como se arrisca o “nosso” comentador a falar em 
“contacto com o divino”? Que contacto? Em visões tal qual um 
sonho que bem poderia ser divino ou diabólico como um 
pesadelo? Ou… ali, no real? A descredibilidade deste Ezequiel 
acentua-se, logo de início, com tais interpretações-comentários!…


terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 159/?

À procura da VERDADE no livro de BARUC

02/02

- “Se tivesses andado nos caminhos de Deus, terias sempre vivido em 
paz.” (Br 3,13)
- Tudo depende do que se consideram os caminhos de Deus
- “Mas quem descobriu a morada da sabedoria (…)? Ninguém conhece 
o seu caminho nem descobre as suas veredas.” (Br 3,15 e 31)
- Aqui, comenta-se: “Bem conhecida de Deus, a Sabedoria colabora na 
criação e foi confiada a Israel (…)” (ibidem). Mais uma vez a 
exclusividade de Israel a possuir a Sabedoria, seja qual for o seu 
significado, tem o sabor da arrogância, o que leva à descredibilidade 
total num Javé que tal fizesse!
- “Jerusalém, tem coragem! (…) Malditos os que te fizeram mal ou 
ficaram contentes com a tua derrota! Malditas as cidades onde os teus 
filhos foram escravos! E maldita também aquela que deteve os teus 
filhos. Pois da mesma forma que se alegrou com a tua derrota e festejou 
a tua queda, assim também ela chorará pela sua própria destruição!” 
(Br 4,30-33)
- É o espírito de vingança! Compreensível mas bem pouco divino…
- “ Durante esse tempo, vereis na Babilónia deuses de prata, de ouro e 
de madeira (…) De vez em quando, os sacerdotes roubam o ouro e a 
prata dos seus deuses para seu próprio proveito ou para dar a prostitutas 
de bordéis (...) Um deus fica com o ceptro na mão, mas não é capaz de 
destruir quem o ofende (…) Os sacerdotes fecham os templos com 
portas, trancas e ferrolhos para que os seus deuses não sejam roubados 
pelos ladrões. Acendem-lhes (…) lâmpadas, embora esses deuses não 
sejam capazes de ver nenhuma delas. (…) Sem pés, são levados aos 
ombros, mostrando aos homens a sua falta de valor. (…) Para proveito 
próprio, os sacerdotes vendem o que foi sacrificado a esses deuses; a
outra parte, as mulheres salgam-na, sem darem nada aos pobres e 
necessitados. Até a mulher menstruada ou que acaba de dar à luz toca 
nesses sacrifícios. (…) Como poderiam ser deuses? As mulheres é que 
oferecem sacrifícios a esses deuses de prata, de ouro e de madeira. 
(…) Esses deuses foram fabricados por escultores e ourives e não 
podem ser mais nada do que aquilo que os seus autores queriam que 
fossem. (…) Pelas roupas de púrpura ou linho que vão apodrecendo 
em cima deles, já podeis saber que não são deuses.” (Br 6)
- Alongámo-nos, apesar de se repetirem aqui invectivas já feitas 
contra os ídolos ao longo de toda a Bíblia, sendo aliás o culto dos 
ídolos o maior pecado dos israelitas face a Javé. Mas… as palavras 
são novas e há outras mensagens. Oferece-se-nos perguntar, embora 
repetindo-nos: «Que diferença há, na prática, entre tais imagens de 
ídolos e as imagens dos santos dos nossos altares às quais se presta 
devoto culto e que são levadas em ombros nas nossas procissões de 
hoje? Não são também de ouro, prata ou madeira? Não são feitas 
por escultores ou ourives ou… santeiros? Não são vestidas com 
púrpuras ou linho e até têm - ó abundância da sociedade de 
consumo! - vários vestidos ou mantos para se engalanarem 
conforme as festas? Roxo e violeta em tempos de Paixão, 
branco, doirado e azul quando chega a Ressurreição? Não se lhes 
acendem lâmpadas ou velas que elas não vêem? Onde então a 
diferença? Que cristão poderá indicar-no-la ou definir os seus 
sentimentos para com uma imagem venerada e o culto a Deus? 
Que diferenças na sua oração?…» 
Depois, o profeta manifesta um anti-feminismo primário, 
evidentemente à moda da época e também… bíblica, o que não 
deixa de ser triste e reprovável, lamentando-se que tenha acontecido 
em textos ditos “sagrados” ou “de inspiração” divina! Assim, 
perguntamos: «Estava manchada a mulher na sua menstruação, 
situação tão normal e natural, cumprindo-se nela apenas o que a 
Natureza estabeleceu para o seu corpo? Estava manchada aquela 
que acabava de dar à luz, quando é o acto mais 
essencial que existe e do qual tudo depende: corpo e alma e 
pensamento?» Que curteza de ideias, santo Deus, este teu inspirado! 
De certeza que não foste Tu que o inspiraste, mas tradições aberrantes 
vindas não se sabe de onde!… Aliás, é evidente o desprezo com que 
o profeta diz que “As mulheres é que oferecem sacrifícios a esses 
deuses de prata, ouro e madeira”. Que intolerável machismo!
E que pensar daqueles sacerdotes - dos templos pagãos, é claro! - 
que roubavam para alimentarem os seus prazeres nos bordéis? A 
insinuação é “forte”! E raro é o autor bíblico que não traga à “praça 
pública”, por um ou outro motivo, apelos à imaginária sexual, 
parecendo estar o sexo omnipotentemente presente, na vida do 
Homem. E… não estará?!
- “As mulheres põem uma corda à cintura e sentam-se à beira do 
caminho, queimando farelo como incenso. Quando uma delas é 
levada por algum homem que passa, a fim de dormir com ele, 
começa a desprezar a companheira, que não teve a mesma honra, 
nem lhe foi desatada a corda.” (Br 6,42-43)
- A cena é… visual. Talvez o profeta tenha mesmo “provado” daquele 
incenso… Mas se é natural que fique contente uma prostituta da beira 
da estrada, por ser escolhida para a “função”, não se percebe porque 
haverá de desprezar a outra que fica com a “corda por desatar”.
Porque não desejar-lhe boa sorte com outro que passe e se deleite com 
ela? Enfim, constatações de… profeta, não divina, mas humanamente 
inspirado e que não nos trouxe nada de divino…