segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A Vida humana: Que valor? Que sentido? – 2/2



2 – O sentido da VIDA

A pergunta impôs-se desde que o Homem começou a pensar:  
“A VIDA, para o ser humano, acaba-se, como se acaba para qualquer ser vivo, animal ou planta, com a inexorável morte?”
Da incapacidade de resposta, por ignorância da realidade que é o Homem e o Universo de que faz parte, Espaço e Tempo, Matéria e Energia, ou do não querer aceitar essa realidade, nasceram as religiões, com todo o chorrilho de invenções, efabulações, falsidades, mentiras que são conhecidas dos críticos, mas pacífica e alegremente aceites pelos crentes e perversamente pregadas e alimentadas pelos gurus que, de algum modo, vivem dessas mesmas religiões. Já viram algum guru mal vestido ou faminto?... E então da riqueza do Vaticano e de muitas igrejas sobretudo americanas, nem vale a pena falar…
Eis algumas fantasmagóricas criações das religiões: primeiro, Deuses para todos os fenómenos naturais desconhecidos, internos ou externos ao Homem, incluindo o Amor, a Maternidade, a Fecundidade, etc, etc; depois, um Deus único, infinito e eterno mas ao serviço de sua excelência o Homem, ora como Pai amoroso ora como juiz e tirano castigador; um Deus que fala aos Homens e inspira livros a que chamaram de sagrados; um Deus-Pai Criador que criou o Homem à sua imagem e semelhança e que interfere na História do mesmo Homem enquanto vivente e depois de morrer, havendo um Juízo final: céu ou inferno eternos! Um Deus que até tem/teve um filho e que enviou esse filho do Céu à Terra, encarnando numa Virgem, para trazer uma mensagem de salvação, salvação de um suposto pecado original de uns supostos primeiros pais da humanidade… E tudo isto continuando a ser ensinado na catequese e a ser imposto pela Igreja católica, quando se sabe que o Homem existe por evolução das espécies e não houve nem adão nem eva, nem qualquer pecado cometido por esses primeiros hominídeos… E muitas outras barbaridades como reencarnações, ritos cerimoniais, aparições de entes celestiais, milagres, pecados, confissões, missas, lugares santos ou santuários e peregrinações a esses mesmos lugares santos, etc., etc., etc.
Ora, a realidade – a VERDADE! – do Homem é muito simples: pertence ao Tempo como qualquer ser vivo, animal ou planta, ser vivo que tem uma certeza absoluta e inexorável: se nasceu num dado momento do Tempo, em outro, mais tarde, irá desaparecer, integrando-se para sempre no donde veio, i. é, na Terra, átomos e moléculas transformando-se em outras realidades, seres vivos ou não vivos. Tal como as… estrelas, no Universo! Nada se perdendo, tudo se recriando ou se transformando, num eterno retorno do mesmo ao mesmo através do diverso. Fantástico ou deprimente? É acto de inteligência valorizar o fantástico que a VIDA representa, na evolução do Universo e mais fantástico ainda o facto de nós – cada um de nós! – termos tido a sorte de participar nela.
Então, às perguntas que as religiões colocam aos crentes para os aliciar e… convencer de todas as suas invenções e efabulações: “Quem sou eu? Donde venho? O que faço aqui? Para onde vou?”, respondemos: Sou um ser vivo, que veio da Terra, por um feliz acaso, nada de especial fazendo aqui, voltando para a mesma Terra no termo dos meus dias, sem deixar qualquer rasto... Mais, e mais contundente: sou um entre mais de sete mil milhões de humanos actuais; humanos que são uma espécie animal entre muitos milhões de outras existentes só no Planeta Terra, ignorando-se o que se passa nos biliões de outros que de certeza, conforme a soberana lei das probabilidades, existem no Universo; Terra que é um planeta de uma estrela de média grandeza; estrela que é uma entre mais de cem mil milhões que compõem a galáxia Via Láctea; galáxia que é uma entre os milhares de milhões de outras que já são conhecidas no Universo, ignorando-se completamente que confins – se é que não é infinito e eterno, confundindo-se com o próprio Deus! – tem esse mesmo Universo…
Ora, perante esta realidade – difícil de aceitar, diga-se, para o ser pensante que somos, embora ser completamente insignificante face aos olhos do Universo – pergunta-se pelo “sentido da Vida”. E é uma pergunta que faz todo o sentido.
Sem nos alongarmos, diríamos:
Já que tivemos o privilégio de vir à vida – privilégio que muitos biliões de outros não tiveram e que ficarão para sempre na hipótese de ser! – resta-nos viver e… saber viver! Viver felizes! E a felicidade, somos nós que a construímos, a partir de nós, pensando mais em DAR que em receber, mais em SER do que em ter, SORRINDO para dentro de nós e para os que comunicam connosco, espalhando amor e compreensão por toda a parte, privilegiando o diálogo e não a guerra para resolver o conflito.
Resta dizer que o Homem apareceu há cerca de quatro milhões de anos (o sapiens sapiens, do qual somos descendentes directos, há apenas uns cinquenta mil), quando a vida na Terra existe há c. de três mil e quinhentos milhões, e os dinossauros – que povoaram Terra durante mais de cento e cinquenta milhões de anos – se extinguiram há c. de sessenta e cinco milhões… O Homem, portanto, para a Terra, praticamente não tem História… E – enfim! – tudo leva a crer que o mesmo Homem desaparecerá para sempre com o desaparecimento da Terra e o desaparecimento do Sol, dentro de c. de quatro mil e quinhentos milhões de anos. É que, devido às distâncias que separam a Terra de qualquer outro possível planeta habitável, o Homem com a sua materialidade dificilmente poderá alcançar tais planetas e aí se instalar quando a Terra perecer. Mas é tanto tempo, santo Deus!
Ah, como o mundo mudaria para melhor se o Homem actual tomasse séria consciência desta verdadeira realidade que o assiste!



domingo, 11 de setembro de 2016

A Vida humana: Que valor? Que sentido?



1 – O valor da VIDA

Para um analista crítico, logo, mais baseado na inteligência e na razão do que na emoção, a VIDA apresenta-se-lhe como o bem supremo, um bem acima de qualquer outro, e isto tanto do ponto de vista natural, como numa análise filosófico-existencial ou numa perspectiva psicológico-emocional.
Naturalmente, perante o perigo, adoptamos instintivamente uma atitude de defesa e de salvamento, tentando resguardar as partes essenciais do corpo: cabeça e tronco; puro instinto de sobrevivência.
Filosoficamente falando, constatamos que o dom da vida é condição sine qua non para que qualquer coisa nos aconteça. Obviamente, nada pode acontecer a um não-existente. 
Psicológico-emocionalmente, podemos/devemos arriscar a vida apenas e tão só para defendermos outras vidas, sobretudo as dos que nos são próximos ou queridos.
E… ponto final!
Assim sendo, ficam de fora:
1 - Os mártires de todas as religiões, pelas suas convicções, tanto os santos da Igreja católica, a começar pelos apóstolos, como os kamikazes japoneses da Segunda Guerra Mundial ou os actuais suicidas do Islão.
2 - Os que vão para a guerra, sabendo que têm fortes possibilidades de morrer, não para salvar outras vidas mas porque não puderam escapar aos ataques dos inimigos. E todos sabemos que as guerras são derivadas ou da incapacidade de diálogo entre os Homens em contenda ou da ganância dos mesmos Homens, sempre desejosos de mais poder e mais haveres, quer para si quer para aquilo a que chamam de Pátria, alimentando o chorudo e perverso negócio das armas.
3 - Os que arriscam a vida só pelo sentir da adrenalina em desportos radicais e extremamente perigosos, embora nos casos de guerra (nem sempre!) e desportos perigosos, se tomem todas as precauções possíveis para que se preserve a mesma vida.
Várias perguntas se colocam nestes últimos ítens:
1 – Que lavagem ao cérebro fazem os gurus religiosos aos que se dispõem a morrer como mártires por uma causa religiosa? Não são criminosos tais gurus pois atentam contra o bem supremo de um ser humano: a VIDA? O mesmo se pergunta aos generais japoneses que, em nome da pátria, mandaram aqueles jovens pilotos para a morte, e a todos os radicais islâmicos que levaram/levam tantos jovens ao suicídio por causa nenhuma, melhor, para causarem terror e sofrimento.
2 – No caso de guerra, tudo se torna mais complicado.
2.1 – Há o juramento de soldados: lutar até à morte pela defesa da Pátria. Mas… o que é a defesa da Pátria? Obviamente, considerando a vida o supremo bem, tal juramento deveria ser banido das sociedades e resolver a defesa da Pátria de outro modo. Se somos humanos, porque não o diálogo e o entendimento? Obviamente, o negócio das armas está sempre presente…
2.2 – Há a declaração de guerra de um país a outro. E lá vão os soldados para a morte. Mais ou menos esperada. De ambos os lados. No final, não se contam vidas perdidas. Contam-se “baixas” e ganha quem teve menos baixas. Um número! Uma vida transformou-se num número. Crime, obviamente! E os declarantes de guerra são condenados por terem ceifado milhares de vidas? – Não! Esta é a realidade do mundo que tivemos até agora – e de que a História dá conta – e do mundo que temos. Aliás, lendo bem a História conhecida do Homem, constatamos que toda ela – com raras excepções – é feita de guerras, de mortes, de sangue, de desumanidades. É sumamente triste mas é a verdade. É que, perante certos princípios – falsos, obviamente – a VIDA de um ser humano nada conta.
3 – Nos desportos radicais, quem arrisca sabe os riscos que corre. E faz uma escolha. Quando corre mal, acabou-se a VIDA, acabou-se TUDO. Valerá a pena?

Conclusão genuína: NEM MÁRTIRES NEM GUERRAS E OS FOMENTADORES DE MÁRTIRES OU GUERRAS, DEVERIAM SER TODOS ELIMINADOS DA FACE DA TERRA, LOGICAMENTE, PELA MORTE QUE tão facilmente DEFENDEM PARA OS OUTROS!
Conclusão ainda mais lógica e contundente: se querem morte e terror, que sejam kamikazes os gurus religiosos e que vão para a frente de batalha todos os generais e políticos que decidem a guerra, para serem os primeiros a morrer, mostrando os supostos valores da defesa da Pátria que defendem...





terça-feira, 6 de setembro de 2016

Dizendo adeus às férias…



Sentado numa esplanada à beira Sado, na sua suave Foz. De fronte, a majestade humilde da Arrábida. Lenhosa, verde, apesar de alguns incêndios sofridos no passado ano. Que pensará ela, com os seus milhões de anos de existência, das vidas, animais e plantas, que alimenta e protege, e dos transeuntes humanos que circulam, rio abaixo, rio acima, acelerando automóveis poluidores pelas estradas que lhe rasgaram o rosto, ou deitando-se como lagartos ao Sol, no areal branco e fino da margem-praia? Obviamente, nada! Mas, pensamos nós.
Na sua humilde majestade, a serra desafia milénios, expondo-se a ventos e tempestades, integrando-se perfeitamente no seu fazer parte de uma Natureza que é a dela. Milénios… Milhões de anos…
E nós, ali defronte, olhando também o fervilhar de vida, serra, rio e praia, pensamos na efemeridade dessas mesmas vidas face aos milhões daquela serra que parece impávida face ao tempo, nada parecendo importuná-la o Sol, seja a nascer, seja a pique no céu ou a pôr-se no seu ocaso. Importuna-nos a nós que bem o quiséramos agarrar, parar ou, simplesmente, que avançasse mais devagar. É que, ainda há pouco era noite, depois, logo manhã, meio-dia, tarde e novamente noite, com uma velocidade constante e programada que irrita, santo Deus!
Mas nada há a fazer! Resta-nos aceitar a triste/bela realidade do correr do tempo. Triste, porque vemo-lo fugir e deixar-nos marcas bem vincadas nas rugas que dia a dia nos envelhecem o rosto; bela, porque sentimos que fazemos – fizemos! – parte deste tremendo mistério que é a vida, esta realidade fantástica que apareceu numa Terra perdida algures no imenso – Infinito? –  Universo.
Humanos? – Sim! Seres aparecidos, há apenas três a quatro milhões de anos, quando a vida já existe na Terra há cerca de três mil e quinhentos milhões, tendo passado por epopeias fantásticas como a época dos dinossauros que povoaram a Terra durante mais de cem milhões de anos…
E somos, para já, um final de cadeia evolutiva – cadeia que certamente não se quedará por aqui… –  dotados de um cérebro capaz de raciocínios abstratos e de maravilhas sensoriais emotivas: razão e emoção. Mas parece que tal prerrogativa não chega para se construir um mundo de paz e de fraternidade universal, interligando-se Homens, animais e plantas, num equilíbrio onde houvesse lugar para todos, sem que nenhuma espécie fosse eliminada por outra que, por desregulação de nascimentos, se tornasse infestante. Infelizmente, e por agora, o Homem nem consegue construir a fraternidade universal que se deseja, nem contribuir para o equilíbrio da boa convivência entre as espécies de vida da Terra, tendo-se tornado essa detestada espécie infestante, troglodita de tudo o que é comestível. É pena mas é a realidade em que vivemos. Então, vamos lutar para que, à partida, no tempo que nos for dado viver, deixemos o mundo melhor do que o encontrámos à chegada.

BONNE RENTRÉE!

domingo, 31 de julho de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 108/?

À procura da VERDADE nos livros Sapienciais 

Livro da SABEDORIA – 6/6


- “São naturalmente insensatos os que ignoram a Deus (…). 
Acabam por considerar como deuses (…) o fogo ou o vento (…) 
ou o firmamento (…). Se ficam maravilhados com o poder (…) 
dessas coisas, pensem então quanto mais poderoso é Aquele 
que as formou. (…) Infelizes também (…) os que invocam 
como deuses as obras de mãos humanas: coisas de ouro e prata, 
(…) figuras de animais ou uma pedra (...)” (Sb 13,1-10)
- Totalmente de acordo, caro autor “sagrado”! Isto realmente 
de adorar um bezerro de ouro ou um boneco pintado a quem 
alguém se lembrou de chamar “deus” é… patético para não 
dizer estúpido! Mas o Homem não precisa de referentes? Não 
acredita melhor se vir com os próprios olhos, se tocar com 
as próprias mãos? Não fizeram os artífices, ao longo destes 
dois/três mil anos que tem a tua/nossa História - que são nada 
em relação ao tempo universal que a ciência nos deu a conhecer! - 
imagens de tudo o que é sagrado, desde o Deus-Pai, com 
venerandas barbas brancas, ao Cristo sofredor na cruz ou com o 
seu ar majestático de toga longa, ao Espírito Santo que não 
passou da Branca Pomba… até às imagens de anjos e de santos 
mas sobretudo da Virgem Maria, interpretada por cada povo ao 
seu modo e “paladar”, vestindo-a das mais diversas formas, sendo 
talvez a mais interessante a Nossa Senhora do Ó, com aquele 
ventre prenhe de Jesus Cristo, tão natural e tão… comoventemente 
humano?… Porque é que o Deus verdadeiro não se manifesta 
mais claramente ao Homem para que este não necessite de se 
agarrar a ídolos e assim dar resposta à sua ansiedade de… 
eternidade? Será que Ele alguma vez irá responder a tão angustiante 
pergunta?

- “É impossível escapar da tua mão. Os injustos recusavam 
reconhecer-Te e açoitaste-os com a força do teu braço (…) 
(Sb 16,15-16)
- O autor compraz-se, mais uma vez, na invocação da história 
do povo hebreu, com Javé castigando os seus inimigos, 
para gáudio dos auto-proclamados “justos”…, relembrando as 
pragas do Egipto e os milagres da passagem do Mar Vermelho, 
do fogo, da água, do maná do deserto… E delira totalmente 
referindo-se aos injustos: “(…) foram dispersos, mergulhados 
em horrível medo e aterrorizados por alucinações (…). Ao 
redor deles, ribombavam ruídos assustadores e apareciam-lhes 
fantasmas tétricos de rostos sinistros (…). Só lhes aparecia uma 
chama que se acendia por si mesma, espalhando terror.” 
(Sb 17,3-4) Delirante! E ao povo hebreu chama “nação santa” 
(Sb 17,2), “os teus santos” (Sb 18,1). Que presunção! E, 
continuando a evocar a história, apesenta o mesmo Javé de 
sempre: terrível e castigador: “(…) A tua Palavra toda-poderosa 
veio do alto do céu, do teu trono real, como guerreiro 
implacável e atirou-se sobre uma terra condenada ao extermínio. 
Trazia como espada afiada a tua ordem sem apelação. Parou e 
encheu tudo de morte (…) Também os justos foram atingidos 
pela provação da morte. (…) Os mortos tinham caído aos montes 
uns sobre os outros (…) (Sb 18,15-23)
- “De todos os modos engrandeceste e tornaste glorioso o teu 
povo. Nunca em nenhum lugar, deixaste de olhar por ele e de 
o socorrer.” (Sb 19,22)

- Este “teu povo” contém a antipática exclusividade de um Deus 
que se apouca ao ligar-se apenas a um povo… E que povo!… E 
que Deus! Como é possível continuar a escrever-se assim, falando 
de Deus, apenas 50 anos antes de Cristo!… Pois! Mas… 
terminámos mais um livro! A grande novidade é - como se disse 
de início - a ideia de imortalidade e de incorruptibilidade do 
justo. O autor quis encontrar uma solução para a tremenda injustiça 
que é o justo e o injusto terem exactamente o mesmo fim: o 
pó e o esquecimento, como se lamentaram Job e Coélet no 
Eclesiastes. Pois não é de elementar justiça humana ou divina que 
as boas acções tenham recompensa e as más tenham castigo? E se 
tal não acontece na Terra, não tem de acontecer num céu e num 
inferno? Não tem mesmo de existir o para-além do tempo 
para os Homens? As perguntas são totalmente pertinentes. A resposta… 
fica-se pelo nosso imaginário que se quisera real… Assim, nesta 
leitura. Descobrimos a Verdade? - Não! Apenas afirmações gratuitas 
sobre a imortalidade dos justos, pois… sem provas. Aliás, que 
provas poderia o autor apresentar? Só vindas de Deus! Só por real 
inspiração divina! E, infelizmente, tal como nos livros precedentes, 
como vimos, de divino pouco ou nada tem este livro da… Sabedoria! 

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 107/?

À procura da VERDADE nos livros Sapienciais

Livro da SABEDORIA – 5/6


- “Na sabedoria, há um espírito inteligente, santo, único, múltiplo, 
subtil, móvel, penetrante, imaculado, lúcido, invulnerável, amigo 
do bem, agudo, livre, benéfico, amigo dos Homens, estável, seguro, 
sereno, que tudo pode e tudo abrange, que penetra todos os 
espíritos inteligentes, puros e subtilíssimos. (…) A sabedoria é 
exalação do poder de Deus (…), reflexo da luz eterna (…)” 
(Sb 7,22-26)
- Demasiadas palavras e… só palavras! Alguém descortina nelas 
algum sentido válido? Ou, se quisermos, dizem tudo e… não dizem 
nada!

- “Por meio dela, alcançarei a imortalidade e deixarei aos meus 
sucessores uma lembrança eterna.” (Sb 8,13)
- Alcançar a imortalidade, ninguém sabe nem como nem onde. 
Portanto, só pode ser afirmação gratuita e pura fantasia, pois o que 
é público e notório é que não há qualquer imortalidade possível 
ao Homem, ser que pertence ao Tempo, nele começando, nele se 
acabando sem deixar qualquer rasto perene. Esta é a verdade de 
toda a humanidade passada.

- “Sabendo que jamais teria conquistado a sabedoria se Deus não ma 
tivesse concedido…” (Sb 8,21)
- A quem concederá Deus a sabedoria? Ou… a quem excluirá Ele? 
A cada Homem que nasce, Deus anda por ali a decidir se dá ou não a 
sabedoria? Que tolice!

- “Quem pode conhecer a vontade de Deus? (…) Quem poderá 
investigar o que está no céu? Quem poderá conhecer o teu 
projecto se não lhe deres sabedoria enviando do alto o teu espírito 
santo?” (Sb 9,13 e 17)
- Belas perguntas… sem respostas! E Deus terá uma vontade, terá 
um céu, terá um projecto, terá um espírito? Continua-se no ridículo 
de pensar Deus como se fora um Humano.

- “A sabedoria protegeu o pai do mundo, o primeiro homem formado 
por Deus (…)” (Sb 10,1)
- Jocosamente, perguntaríamos: «Como? Se ele comeu a maçã, 
levando Deus - a sabedoria! - a expulsá-lo do paraíso?»

- “A sabedoria libertou de uma nação de opressores um povo santo, 
uma raça irrepreensível. (…) Fez com que os seus inimigos se 
afogassem e depois vomitou-os das profundezas do mar (…)” 
(Sb 10,15 e 19)
- Sempre a mesma presunção de se chamarem de “povo santo”… 
Que santidade?! É inconcebível que as religiões cristãs aceitem 
estes livros do AT, directamente referenciando os judeus, como 
inspirados por Deus e susceptíveis de serem interpretados 
como livros sagrados, as Sagradas Escrituras. É que, de sagrado, 
nada têm!

- “Tu odiavas os antigos habitantes da tua Terra santa porque faziam 
coisas detestáveis (…) Tu bem podias ter entregue os injustos 
nas mãos dos justos durante uma batalha (…) Mas Tu 
castigaste-os pouco a pouco, dando-lhes oportunidade de se 
arrependerem, embora não ignorasses (…) que a sua maldade 
era inata e que nunca mudariam de mentalidade (…)” (Sb 12,3-10)

- A “tua Terra santa” era Canaã, a Terra Prometida! Não foi este 
ódio de Javé, esta maldade do povo, bela invenção dos Israelitas 
para conquistarem tal Terra? E em nome de Javé? E com o seu braço 
vingador? Depois, se Deus não  ignorava que a maldade deles 
era inata, porque lhes deu uma oportunidade irrealizável de se 
arrependerem? É mesmo contraditório este autor “sagrado”! Ou, 
então, Deus esqueceu-se, também aqui, de o inspirar…

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Onde a Verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 106/?

À procura da VERDADE nos livros Sapienciais

Livro da SABEDORIA – 4/6


- “Escutai, reis (…), o vosso poder vem do Senhor (…)” 
(Sb 6,1-3)
- Quantos poderosos não se fundamentaram nesta “inofensiva” 
afirmação dita de inspiração divina, para dominarem povos 
e nações! Matarem, massacrarem, roubarem, violarem… tudo em 
nome de Deus! Ora a verdade é que o poder sempre veio das 
armas e do dinheiro do mais forte. Haverá na História uma única 
prova em contrário? Mesmo o poder democrático de hoje - bem 
vistas as coisas - é tantas vezes tão pouco democrático!…

- “No entanto, (…) não julgastes com rectidão, não observastes a 
Lei nem procedestes conforme a vontade de Deus. Por isso, Ele 
cairá sobre vós de modo (…) terrível (…). Os pequenos serão 
perdoados com misericórdia, mas os poderosos serão examinados 
com rigor.” (Sb 6,4-6)
- Mais afirmações megalómanas mas gratuitas. Logo, inúteis. Ou 
então, ficamos pelo desejo. É que, aqui na Terra, a justiça é 
muitas vezes feroz para os fracos, escapando facilmente dela os 
poderosos!

- “O princípio da sabedoria é o desejo autêntico de instruir e desejar 
instruir-se é já amá-la. Amá-la é observar as leis da sabedoria (...). 
A observância das leis é garantia de imortalidade. E a imortalidade 
faz com que a pessoa fique perto de Deus. Portanto o desejo da 
sabedoria conduz ao reino.” (Sb 6,17-20)
- O “reino” é certamente o mesmo de Jesus Cristo, o dos céus. Mas 
é totalmente gratuita a firmação de que “A observância das leis é 
garantia de imortalidade.” Aliás, o que são essas leis? O que é 
realmente a sabedoria?
- Diz o “nosso” comentador: “A sabedoria é o bom senso que cresce 
e se aprofunda (…) no exercício contínuo do discernimento sobre 
circunstâncias e situações (…) É o dom de Deus que forma no 
Homem o bom senso interior. Este permite perceber o sentido interno 
de todas as coisas (…) (Notas a 6,12-21 e 7,15-21, ibidem). 
A sabedoria, aqui, será pura personificação poética ou realidade 
entre Deus e o mundo? Pessoa divina? (…) Muitas das suas funções 
ou atribuições vão transitar para Jesus ou para a acção do Espírito 
Santo.” (Notas a 4,20-5,23, ibidem)

- Também nós comungamos destas e de muitas outras dúvidas. Que a 
sabedoria seja o “bom senso” e que deste bom senso dependa a 
imortalidade no face a face com Deus, no reino… parece pura 
fantasia! Enfim, é a perene tentativa do Homem de ligar o humano 
ao divino, sem jamais perceber plenamente onde está a 
VERDADE, onde está DEUS! E perguntamos, talvez repetindo-nos: 
Porque é que Deus se esconde assim do Homem e não se manifesta 
claramente? Criando em nós o desejo de O conhecer, de ficarmos 
eternamente com Ele, após a morte, porquê deixa em todos os 
humanos a dúvida de se realmente Ele existe ou se não passa de 
invenção das nossas mentes? Porquê? É frustrante! Revoltantemente 
frustrante! É que - e vamos repetir-nos! - toca o essencial, o mais 
importante das nossas vidas! Quem poderá entender - e aceitar! - este 
esconder-se de Deus? Se a vida eterna - a que realmente conta, não 
esqueçamos! - se prepara com esta terrena, porque não sabemos 
claramente se existe e como se alcança? E assim, de frustração em 
frustração, vamos descrendo da eternidade, da sabedoria, do nosso 
próprio desejo de sermos imortais, da… existência de Deus! Será 
que Jesus Cristo nos dará alguma resposta mais convincente do que 
todos estes livros do A.T. que - perdoem-me todos os anjos e santos, 
profetas e, sobretudo, perdoe-me Deus! - não passam de histórias 
com algum conteúdo de boa conduta moral e… social mas que não 
passam de “palavras” humanas?

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Onde a verdade da Bíblia? - Análise crítica - Antigo Testamento (AT) - 105/?

À procura da VERDADE nos livros Sapienciais

Livro da SABEDORIA – 3/6


- “Feliz a mulher estéril que permanece irrepreensível (…) Feliz 
também o eunuco que não cometeu injustiça (...) É melhor não ter 
filhos e possuir a virtude (…) Os filhos nascidos de uniões ilegais 
testemunharão a perversidade dos seus pais, quando estes forem 
julgados.” (Sb 3,13-14 e 4,1-6)
- Além do descabido elogio do eunuco e da mulher estéril, pois são 
de louvar todos os justos, tenham filhos ou não, novamente o 
julgamento! Mas… como será tal julgamento, pregado, aliás, 
também por Cristo e consagrado no Credo católico: “… que 
há-de vir a julgar os vivos e os mortos…”? Quem realmente o fará? 
Deus? Jesus a quem fizeram filho de Deus e chamaram Cristo? 
Em que fim do mundo? Que mundo? É de notar a ignorância, 
ao tempo, da realidade científica Terra/Sol/Universo e do que 
realmente é o fim do mundo, melhor, da Terra. A Fé obriga o crente 
a acreditar em reais falsidades quer a nível da Ciência quer a 
nível do objectivo da vida humana: preparar a eterna, junto de 
Deus ou do diabo, no céu ou… no inferno! Um total absurdo que 
agride a nossa racionalidade! Na realidade, o fim do mundo é, para 
cada humano, o fim da sua vida na Terra. Esta a única verdade 
credível.

- “Os injustos (…) dirão (…) entre soluços e gemidos de angústia: 
(…) Que vantagem tirámos da nossa riqueza arrogante? Tudo 
desapareceu como sombra (…) fugaz! Os justos, porém, vivem para 
sempre, recebem do Senhor a recompensa (…)” (Sb 4,20 e 5,3-15)
- Mais uma afirmação totalmente gratuita! Portanto, sem qualquer 
credibilidade. Apenas baseada no nosso desejo de imortalidade e… 
de justiça.

- “(O Senhor) tomará o seu próprio zelo como armadura e armará a 
criação para castigar os inimigos. Vestirá a couraça da justiça e 
colocará o capacete do julgamento que não admite suborno. 
Tomará como escudo a santidade invencível, afiará a espada da 
sua ira implacável e o Universo combaterá ao seu lado contra os 
insensatos. Os raios partirão das nuvens como flechas bem apontadas 
e voarão para o alvo como de um arco bem retesado. A sua funda 
lançará furiosa saraivada, a água do mar enfurecer-se-á contra eles, 
e os rios sem piedade afogá-los-ão. O sopro do poder divino 
levantar-se-á contra eles e dispersá-los-á como um furacão. É assim 
que a injustiça devastará a Terra toda e a maldade derrubará o trono 
dos poderosos.” (Sb 5,17-23)

- Desculpem-nos a longa transcrição. É que estava inspirado o autor, 
embora apenas de palavras ocas, sem sentido. De divino, fica a 
impotência na luta, a ira implacável… É o retomar da Bíblia 
antiga no seu pior! Um Deus obviamente impossível! E os injustos 
e a injustiça serão assim uma força tamanha que sejam precisos céus e 
Universo para os aniquilar? 
O discurso é megalómano… desnecessariamente!